O tráfico de animais silvestres: o grande ciclo vicioso e suas consequências.

A relação entre homem e fauna, se dá, desde os primórdios. Onde o homem se utilizava da caça para alimentar-se; porém assim que o homem foi evoluindo e dominando novas técnicas de sobrevivência, ele também ampliou seu domínio e foi se “antropocentizando”.

Á medida que, homem passa a achar-se que possui domínio sobre outras espécies, ele se vê no direito de intervir no meio ambiente e no ecossistema. A ideia de recursos inesgotáveis, que se perpetua até a atualidade, impacta tanto a fauna, quanto a flora. Causando, um sério desequilíbrio ecológico.

No Brasil, com a chegada dos portugueses; começou-se a evidente exploração dos recursos naturais. E foi através, da primeira carta enviada a coroa portuguesa, por Pero Vaz de Caminha, que se obteve o primeiro registro da riqueza, de fauna e flora, que tinha no país. Digo que tinha. visto que, hoje 90% da mata Atlântica e todo seu complexo, foi desmatado. E outros, biomas continuam sendo desmatados. Mesmo depois, de tantos anos de conhecimento; sobre os impactos gerados pelo desmatamento e pela retirada desordenada de matéria prima do meio ambiente. Sinal de que o País não aprendeu nada, com seus erros de colônia!

E os avanços da inconsciência humana, não param por aí! Pois, mesmo depois de nos livrarmos da posição de colônia de exploração. Ainda, preservamos um pensamento arrogante e incapaz; de notar a importância da preservação do meio ambiente. Ao invés disso, procuramos crescimento econômico; a qualquer custo.

E uma evidência, desse pensamento. É o destaque, que o Brasil ganha em um de seus crimes ambientais; mais cruéis: a retirada de animais silvestres, de seu habitat natural, para o tráfico. Seja ele para: colecionadores, pesquisadores ou para a transformá-los em pets. Estima-se que no país de maior biodiversidade mundial, o Brasil, cerca de 38 MILHÕES de animais são traficados em um período de um ano. O que faz com que, estejamos no     ranking mundial; de terceiro lugar, onde mais se trafica animais.

 Essas vítimas, são retiradas de seus ninhos, nicho ecológico, convivência familiar; muito cedo, ainda filhotes. Muitos desses animais, vão morrer durante o transporte; pois os traficantes não estão preocupados com o bem estar do animal, eles estão preocupados com o dinheiro que eles vão ganhar. É um esquema milionário, movimenta muito dinheiro e mobiliza muita gente: populações locais, que fazem a retirada, abrupta, do indivíduo do meio ambiente; caminhoneiros, que fazem o transporte; vendedores intermediários, que fazem a venda para o consumidor final; e finalmente o consumidor, que adquire o animal.

E o problema só está começando, ele não para no consumidor final. Ele continua. Nem sempre, os sobreviventes que chegam ao lar do desinformado; que comprou o animal. Irão receber um tratamento específico, adequado. A primeira barreira é a alimentação. A pessoa, provavelmente não vai buscar na literatura o que aquele animal come. Logo, dará o que tiver disponível no momento. E nem sempre, o “disponível” será o necessário e correto para o animal; que foi retirado do seu habitat natural. Podendo ocasionar, no espécime, sérias deficiências nutricionais; que certamente provocará a morte do indivíduo.

Outra barreira encontrada é a deficiência de imunidade contra zoonoses, facilmente encontradas em animais domésticos (cães e gatos); que podem levar o animal silvestre a óbito. Além disso, esse fluxo de doenças pode se dar de maneira contrária, onde o animal silvestre transmite essas zoonoses para animais domésticos ou humanos.

 Além de todos os problemas já citados, existe ainda a questão ecológica que o animal é exposto. Ele se torna frágil, uma vez que, ele passa a ser dependente dos cuidados de um ser humano. E essa dependência, esse erro de manejo; será o seu maior impedimento de uma reintrodução no meio ambiente.

Visto que, um animal que passou pelo processo de domesticação; ele não está apto para viver na natureza. Pois, lá ele se tornará uma presa fácil. E mesmo que tivesse apto, essa reintrodução nem sempre se dá de forma harmoniosa. Porque ela pode causar um desequilíbrio ecológico, já que, nem sempre animais recuperados do tráfico; sabe-se exatamente a sua procedência. Dificultando assim, a sua reintrodução…

Porque não é simplesmente, recuperar o animal, reabilitá-lo e jogá-lo em qualquer mata. É preciso, fazer um estudo; saber se ele não se tornará uma espécie invasora, se ele não irá levar consigo zoonoses que dizimarão espécies já sobreviventes no local, quais serão as possíveis modificações que ele irá fazer ao ser reintroduzido. Muitas pessoas pensam que é só descartar o animal não mais desejado; e soltam o animal em parques ou florestas, ocasionando o tão famoso: desequilíbrio ecológico.

Por isso, geralmente, esses animais devem ir para centros de reabilitação; onde passaram por tratamentos específicos, passaram por uma triagem; para depois fazer parte de zoológicos ou parques. Mas esses locais nem sempre conseguem absorver todos os indivíduos. E aí? Oque fazer? Alguns pesquisadores, biólogos, veterinários; dizem que a melhor opção é a eutanásia. Mas e agora, como explicar para a sociedade civil que aquele animal, que passou por dificuldades, foi traficado, foi reabilitado, tem que morrer?

Torna-se uma questão muito complicada de se resolver. Portanto, animais silvestres, como já nos alerta a constituição; não devem ser perseguidos, capturados, comercializados, sem a licença do órgão ambiental responsável. As pessoas têm que entender e respeitar o meio ambiente. Desenvolvimento econômico? claro! Desde que seja sustentável. Posso ter um animal silvestre em casa? pode! Desde que, o tenha comprado de um cativeiro legalizado e se tenha responsabilidade pela vida do animal.

O maior problema, é que desde a colonização aos tempos atuais, o homem quer ser dono da natureza, ter posse. Mas, não somos donos. Somos meros colaboradores, dependentes dos serviços; a nós prestados gratuitamente, pela natureza. E como colaboradores, devemos proteger e respeitar o meio ambiente. E com franqueza: animal silvestre não é pet. Pare de contribuir para o tráfico de animais.

Bibliografias:

FARIAS, Camila Garcia. Animais Silvestres em situação de domesticação: Uma análise das soluções dadas pelo judiciário Brasileiro e das alternativas oferecidas pela legislação. Monografia (Título de bacharel em Direito) – Universidade do Sul de Santa Catarina. Santa Catarina, 2011. Disponível em: <http://www.riuni.unisul.br/handle/12345/1096>. Acesso em: 06 fev. 2021.

FÉLIX, Catrine; DIAS, Marialice. A TUTELA JURÍDICA DOS ANIMAIS SILVESTRES MANTIDOS EM CATIVEIROS DOMÉSTICOS. Nova Hileia | Revista Eletrônica de Direito Ambiental da Amazônia. ISSN: 2525 – 4537, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 92-106, maio 2017. ISSN 2525-4537. Disponível em: <http://periodicos.uea.edu.br/index.php/novahileia/article/view/418&gt;. Acesso em: 04 fev. 2021.

Id. Lei n. 9.605/98 de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/

L9605.htm >. Acesso em: 05 fev. 2021.

MAGALÃES, Janaína Silvestre. Tráfico de animais silvestre no Brasil. Monografia (Licenciatura de Ciências Biológicas) – Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário de Brasília. Brasília, 2002. Disponível em: <https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/123456789/2431>. Acesso: 08 fev.2021.

NASSARO, Adilson Luís Franco. Animais Silvestres e o Propósito de estimação. Monografia (Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais) – Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG). São Paulo, 2001. Disponível em: <https://www.academia.edu/download/45624165/Animais_Silvestres_estimacao.pdf >. Acesso em: 04 fev.2021.

PETTER, Creusa Alves Bomfim. Tráfico de animais silvestres. 2012. viii, 32 f., il. Monografia (Licenciatura em Ciências Biológicas) —Consórcio Setentrional de Educação a Distância, Universidade de Brasília, Universidade Estadual de Goiás, Brasília, 2012.Disponível em :<https://bdm.unb.br/handle/10483/4353>. Acesso: 05 fev.2021.

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