Biorremediação: uma luz no fim do túnel.

A ação antrópica do homem na natureza, traz diversas consequências. Estamos cada vez mais nos utilizando de espaços de maneira irracional e destrutiva. Já não é novidade os impactos negativos que causamos ao meio ambiente.

O aumento populacional ao longo das décadas, tem aumentado a demanda por recursos naturais. As plantações humildes de fundo de quintal já não saciam mais a fome de uma nação. O que fez, com que a procura por terras cultiváveis aumentasse. A cada ano perdemos muitos hectares de mata nativa, que cedem espaço para plantações e para agropecuária.

Os mais velhos, dizem que um dia tomavam banho nos rios e lagos. Hoje, não consigo me imaginar em tal situação. Pois, os rios que antes havia apenas peixes e pequenos invertebrados; hoje abrigam, latas, plásticos, vidros, esgoto e centenas de microrganismos patogênicos. Resultado, é claro, do constante despejo de efluentes nos leitos dos rios e da falta de bom senso; daquele que insiste em jogar o seu precioso lixo nas calçadas. As Estações de Tratamento de água, trabalham duro, para transformar esgoto em água potável.

O ar que tanto precisamos para respirar, está cada vez mais nutrido de partículas sólidas em suspensão. Acarretando diversas doenças respiratórias. Então, né! Os problemas advindos da atividade humana estão cada vez mais presentes.

O aumento indiscriminado de resíduos sólidos, está fazendo a sociedade repensar o seu modelo de consumo, felizmente. O desenvolvimento sustentável, com certeza é um conceito chave, para amenizar, mitigar e evitar a degradação do meio ambiente. Mas, a pergunta é: como remediar os impactos já causados?

A biorremediação, vem ganhando espaço, como nova técnica de recuperação de áreas degradadas. Em síntese, essa técnica consiste em utilizar microrganismo; que naturalmente, já são responsáveis pela ciclagem de nutrientes; e utilizá-los na decomposição de moléculas recalcitrantes (moléculas de difícil degradação) e moléculas xenobióticas (moléculas “estranhas”, criadas pelo homem).

Esse processo de remoção de poluentes, pode ser realizado de duas formas; a primeira in situ, que é quando a remediação é feita no próprio local onde o poluente foi encontrado, o que diminui custos. E a outra forma é a ex situ, onde o poluente é deslocado para um outro local, a fim de ser tratado; o que pode gerar custos adicionais, comparado com a primeira alternativa.

Geralmente, a biorremediação é muito eficiente na decomposição de herbicidas, polímeros, petróleo e seu derivados, fármacos, metais pesados e corantes artificiais. Além disso, é de baixo custo de adesão, maior eficiência comparado com outras técnicas e tem uma alta capacidade de degradar, remover ou neutralizar compostos orgânicos.

Entretanto, existem algumas limitações, principalmente por se tratar de seres vivos. Então, manter as condições favoráveis, para a manutenção de suas atividades biológicas se torna essencial, são elas: a temperatura ambiente, que influencia nas atividades metabólicas do indivíduo; o PH do local e a umidade.

Para conseguir maximizar os resultados, controlar essas variáveis é imprescindível. Uma forma de melhorar o ambiente, a fim de ajudar no estabelecimento da colônia, é aumentar a disponibilidade de nutrientes para auxiliar no metabolismo celular dos indivíduos.

E para reduzir custos, com introdução de bactérias ou fungos no local da contaminação, é sempre interessante ver quais organismos já existentes no local conseguem fazer a degradação do poluente, os organismos autóctones.

Os microrganismos mais utilizados para essa técnica são as bactérias e os fungos. Esses seres vivos, já são decompositores por natureza. Mas, antes mesmo de fazer a introdução ou estimulação de crescimento desses seres. É necessário, um estudo prévio do poluente que se quer eliminar e do organismo que fará a biorremediação local. Pois, cada organismo possui uma enzima específica para decompor determinada molécula. Esse estudo prévio, busca reduzir as chances de fracasso no processo; como por exemplo: os poluentes presentes serem incompatíveis com o processo de implementação ou a taxa de biorremediação se tornar baixa ao longo do tempo.

Por tanto, o monitoramento da área, tem que ser constante, para evitar que esforços sejam desperdiçados ou evitar que os microrganismos introduzidos tragam impactos negativos no local de sua implementação.

Os problemas causados pela nossa estadia aqui na terra, são inúmeros, como já os mencionei. Mas, a ideia de que existe uma possibilidade de diminuir os efeitos da poluição, é reconfortante. É lógico, só a biorremediação não vai resolver todos os problemas ambientais do mundo. Então, as medidas de consumo consciente, desenvolvimento sustentável e redução de impactos; ainda são necessárias para que possamos manter uma qualidade de vida aqui na terra.

BIBLIOGRAFIA

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